pedala mano!
Essa parte vai em portuguêuskara para quem não entende euskara e quer saber das aventuras e desventuras da nossa viagem direção Belem.
Então, aqui estamos Melchor e Gaspar, falta o neguinho Baltasar, que um crocodilo do Araguaia o comeu e quando o cagou ficou (bilakatu) pequenininho.
Agora chamam-no neguinho d´água e falam que anda imerso nas águas do Araguaia com um facão (matxetea) na mão e, de vez em quando, corta os dedos das pessoas que ousam se adentrar nessa imensidão fluvial. Além desse neguinho, os policiais ambientais com quem a gente (gu)
almoçou ontem (atzo) nos disseram que também existem outras creaturas perigosas nessas águas, tais como os crocodilos, caimães, pirararas ou curupiras (?), onças, piranhas e mosquitos ou murisocas, e agora uns bascos doidos de pedra (harrikadadunak) que inventaram sair de Goiânia de bike e chegar em Belem para o Reveillon (urtexar), e seguir caminho até Manaus para depois continuar até Caracas e participar do Fórum Social Mundial.Já estamos há uma semana pedalando e sofrendo, pedalando e sofrendo, eis a tônica do nosso cotidiano. A bunda (ipurdia) grita que nem Pavarotti cantando a ária mais fodida, as pernas compõe o duetto com o bumbum (ipurdia) e lá vamos nós fazendo um km atrás do outro.
Nesse concerto diário, já passamos pelas ladeiras do Cerrado goianense, um bioma incrivelmente diverso, vendo a cada km um bicho diferente: tucanos, águias, monte de pássaros de muitas cores (kolore) que não vimos jamais, raposas, caimães... e muitas vacas, as Nelore, aquelas corcundinhas de osso e pele, que não parece que vão dar alguma picanha (solomilo) em condições.
E um fedor (kirats) constante a carne em putrefação de animais mortos ao longo da estrada (nojento (nazkagarri) em si, imaginem quando estamos à beira do colapso lipotímico pelo esforço que estamos realizando subindo a porra da ladeira!!)
Agora estamos em São Miguel do Araguaia, de onde gostaríamos pegar um barco para descer o Araguaia

e nos juntar ao perdido Baltasar, mas parece que não vai ser tão facil e teremos que continuar pedalando, amanhã rumo a Tocantins.
Já fizemos uns 500km, ainda (oraindik) um pequeno pedaço do mapa... por quê esses portugueses inventaram de conquistar um pedaço de terra tão grande!!! E esses dois bascos testarudos, se achando (ustetan) na sua juventude adolescente, e dois Lance Amstrong, exageraram nas suas previsões achando que fazer 100km por dia numa média de 20km/h era baba! Estamos concordando com a opinião da maioria do povo brasileiro que vamos encontrando no caminho: estão loucos!!
E isso ai galera (peña), continuamos o caminho!

Abraços
